quinta-feira, 24 de abril de 2014

Amor, a praga do século: O Encaixe perfeito

  Era 03 de Julho de 2018 e logo cedo recebi uma ligação, era telefone residencial e de DDD de Santa Catarina. Geralmente isso quer dizer que é uma ligação do escritório de Gabriel, ou seja ele. E dessa vez não foi diferente.
  Desde as férias nos falávamos quase todos os dias e nos dávamos muito bem, fazíamos planos de ir se ver mas nunca dava certo, ou ele tinha trabalho demais por lá ou eu trabalho demais por aqui. O problema na maioria das vezes era o trabalho.
 - Oi Jé. Te acordei?
 - Oi Gab. Não, eu já tô trabalhando.
 - Hum. Que bom, mas bem que eu gostaria de ter te acordado.
 - Se eu ainda tivesse dormindo nem te atenderia, acredite.
 - Ta bom, enfim, eu vou pra aí na semana que vem resolver uns negócios em Flores da Cunha e conseguir algumas parcerias aí na sua cidade também. Logo que soube quis ligar pra te contar. Eu não to atrapalhando, né?
 - Não acredito! Até que enfim, tô com muita saudade de ti.
 - Eu também estou de ti.
 - Pode ficar na minha casa, se quiser.
 - Ta bem, meu anjo. Falamos disso mais tarde, pode ser? Eu liguei mesmo pra contar a novidade e deixar seu dia muito mais feliz.
 - Que convencido. Tá bom. Bom dia pra você, beijos
 - Bom dia e até mais.
 Eu realmente fiquei muito feliz com a notícia, eu ainda era apaixonada por aquele homem, e ver ele depois de meses seria tudo de bom. Melhor ainda se ele ficasse na minha casa. Desde que Marina foi morar com o namorado novo eu me sentia meio sozinha. Uma companhia tão agradável quanto a de Gabriel seria tudo de bom. Eu o convenceria a ficar.
 A noite conversamos, tudo acertado. Gabriel vai passar esses dias que tem de ficar por aqui na minha casa.
 Passou a semana. E no domingo ele chegou, de noitinha, errou o caminho mais de uma vez. Cansado, nos abraçamos, conversamos um pouco. Ele foi tomar um banho. Depois do banho tivemos uma maior aproximação, estávamos tímidos até então. Nos beijamos e caímos na cama. Gabriel dormiu como se não houvesse amanhã, eu ainda li meu livro.
 Segunda- Feira. Eu precisava trabalhar, Gabriel nem tinha acordado. Deixei-o dormindo e fui. Ao meio-dia quando cheguei ele já havia sumido. Só chegou a tardinha, tinha ido a Flores da Cunha, pra onde retornaria a semana inteira.
 Depois de uma semana já estávamos como um casal de namorados que moram juntos. Íntimos e felizes, cheios de brincadeiras. Colocamos as roupas dele num espaço do meu roupeiro. No final de semana saímos. Na semana seguinte ele ficaria por Caxias, seu pai estava tentando fazer negócio com uma empresa daqui. Ficamos tão bem, tão juntinhos. A semana passou sem que nenhum enjoasse do outro. E ele precisou de mais uma semana pra terminar tudo. Três semanas com alguém, o normal seria que eu já tivesse a mandado embora a muito tempo. E acabou seu trabalho pelo Rio Grande do Sul. Mas decidimos que ele ficaria só mais uma semana. Só mais uma. E ficou. E foi bom, ele já não trabalhava mais, Dr. Marcone havia viajado naquela semana e ficaria fora até a quinta-feira, eu podia fechar o escritório mais cedo. Namoramos muito, saímos, e comemos bastante também.
 Infelizmente ele iria ir embora depois daquele final de semana. Eu estava com saudade antes de ele partir, passamos um mês juntos e foi como se tivesse sido só um dia. Eu precisava de um pouco mais dele, um pouco mais tipo muito. Ajudei ele com as roupas, mas demorou minutos para que eu pudesse colocar a primeira peça dentro da mala eu ficava olhando-a e pensando como ela se encaixou bem no espaço do meu roupeiro.  Depois de quase uma hora fechamos ela.  Amanhã cedo ele parte pra quase 700km longe de mim. Fomos dormir tristes, depois de uma transa espetacular. Logo cedo acordamos, fiz café, enchi a térmica dele para viagem. Colocou a mala no carro. Me levou trabalhar, nos despedimos. Subi até o andar que trabalho com um vazio interno e querendo loucamente ligar pra ele e dizer "fica mais um pouco, por favor" mas sabia que ele tinha que ir, seus compromissos o esperavam lá. Porem, saí do elevador e liguei pra ele:
- Oi.
- Oi, aconteceu alguma coisa?
Não respondi e fiz outra pergunta:
- Já saiu da cidade?
- Não. Hoje tem trânsito, nossa! Mas por quê? O que foi?
- Deve ser porque tu deveria ficar na cidade mais um tempo. Eu sei que tu tem compromissos, desculpa por ser imatura ao não entender isso, mas não dá pra ti adiar eles? Só mais um pouquinho?
- Jéssica, me desculpe. Eu gostaria de ficar mais um pouco. Mas meus compromissos são inadiáveis.
- Ta bem. Que pena. Mas pelo menos eu tentei. Agora tenho que desligar, to entrando no escritório. Boa viagem, se cuida.
- Desculpa meu amor, eu ligo quando chegar. Bom trabalho.
- Ok. Beijos.
- Beij...tu-tu-tu
Desliguei antes que ele terminasse de falar, eu não estava entrando no escritório. Estava apenas sentada em uma das cadeiras da sala de espera. Se sentindo envergonhada pelo papel de boba apaixonada que tinha acabado de fazer. Como eu conseguia ser tão irracional? Onde estava a antiga eu? Gabriel entrava em cena e eu ficava totalmente sem paixão própria.
Entrei no escritório, ocupei minha mesa de secretária, dei uma olhada na agenda de compromissos do dr. Marcone, e me dei conta que não peguei os postais no balcão da entrada, fui até lá pegar. Ele iria chegar só as 10 horas hoje. Pensei em descer até o andar de baixo conversar com a Marina, e então fui, pelas escadas. Deixei meu celular no escritório, descendo o primeiro degrau ouço-o tocar e então volto, era Gabriel. Será que aconteceu alguma coisa?
- Oi, aconteceu alguma coisa?
- Oi, aconteceu.
- O que foi?
- Aconteceu que você esqueceu de deixar a chave reserva e eu estou pra fora de casa.
- Como é? Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci sim, você.
- Como assim?
- Posso ficar mais alguns dias?
- Claro que sim. Que bom!
- Posso passar ai pegar a chave? Não tenho pra onde ir.
- Sim, amor.
Eu gostava do modo como nos chamávamos de amor, era fofo. E ele tinha ficado, que lindo. Desci, entreguei as chaves, lhe dei uns beijinhos e voltei ao trabalho.
Ele queria ficar, talvez precisasse ir, mas queria ficar. Eu só precisava pedir pra que ele ficasse. Só precisava demonstrar que era isso que eu queria.
Ele queria ficar pra sempre, no entanto ficou apenas mais duas semanas. Eu não podia pedir pra que ficasse mais, seria extrapolar. E ele também definitivamente sabia que agora era definitiva a viagem de volta. Com muita tristeza ele foi, e a saudade não ajudava em nada. Eu sabia que estava amando-o e que isso não iria prestar.

domingo, 20 de abril de 2014

E por falar em amor...

Pertencemos à geração do descartável, desinventamos o duradouro. À navalha, que durava a vida inteira, preferimos o barbeador que se utiliza só um par de vezes e se joga fora. Trocamos o bom e sóbrio tecido que usaríamos durante anos, pela alucinante cor da moda que durará apenas uma estação. (…) Resistência e boa qualidade tornaram-se palavras sem sentido, o máximo que admitimos é obsolescência planejada. Esse “descartismo” contaminou os sentimentos. Sem, entretanto, mudá-los por completo.
   Hoje, quando me apaixono, penso que se acredito no grande amor e se faço sonhos de eternidade sou uma romântica ridícula. Pior que isso, sou uma pessoa incapaz de viver a realidade, de enfrentar a precariedade das relações humanas, de “elaborar as perdas”… Enfim, sou alguém próxima da inadequação, que sem muito esforço poderia ser chamada de neurótica.
   Mas se me apaixono e não acredito na possibilidade do grande amor, se já começo pensando no fim, sei que sou uma cínica, uma superficial. Pior que isso, sou uma pessoa incapaz de viver as grandes emoções em toda a sua grandeza, de acreditar na força redentora dos sentimentos, de aceitar o desafio da entrega. Enfim, sou alguém próxima da inadequação, que sem muito esforço poderia ser chamada de neurótica.
   Incapaz de resolver a divisão a contento, fico com as duas possibilidades, amo eternamente preparando minha alma para a despedida, e acabo me acostumando com pouco amor também. Pois não se recebe o que não se pode dar. Bato no peito culpada por amar de todo, culpada por não amar de todo.

domingo, 23 de março de 2014

Deixando de lado algumas teorias Schopenhauer, mas não desacreditando.


  A pessoa triste não abre a janela só porque gosta de continuar triste e quer convencer-se de que lá fora não está melhor que onde ela está. É algo automático, ela se vê sem vontade de olhar para fora, de contemplar o dia porque para ela, ele parece vazio. 
  Nem sempre podemos ter ou fazer o que queremos, e então colocamos a tristeza naquilo. Aquela falta de certa coisa não feita, ou não tida que nos deixa pra baixo e faz com que nos acusamos de infelizes. 
  A quem goste de alguém, e não é correspondido(acontece muito com um monte de gente), como convencer uma pessoa que ama outra de que isso não é amor? Bom, poderia até ser mas eu me recuso a acreditar que algo é amor se esse é vivido sozinho. É puro sofrimento. 

                                E então vem aquela coisa toda que leva a outras coisas:

                                                      SOFRIMENTO > TRISTEZA

Eu me pergunto porque fomos feitos tão teimosos, não basta o outro vir e pisar em você. Alias, é isso mesmo que parecemos querer. A gente finge que não, mas quanto mais pisados mais gostamos. 
 Vivemos todos ou vivendo um grande amor e acreditamos que é o verdadeiro amor, ou suportando alguém por medo de ficar sozinho. Ou vivemos esperando um amor que esbarre na gente, ofereça-nos um café, sente para conversar e que por aquela pessoa você se apaixona em uma troca de olhar. 
Mas isso é uma plena mentira. Isso não existe, vai contra as leis. Ninguém olha pra outro alguém e vê o futuro com essa pessoa e sabe que é ela quem vai ser o grande amor de sua vida. A não ser que você veja o futuro, outra coisa que não existe.
 É claro, isso tudo pode acontecer(eu duvido muito, já que a vida real não é um filme), mas você apenas vai se sentir atraído por aquela pessoa, vocês irão se falar durante algumas semanas ou meses e depois vai partir dos dois o que já se esperava "você não é nada do que eu pensei."
  Nos enganamos muito, durante toda a vida. Primeiro vem aquela questão: Deus existe? Alguns acreditam que existe, outros não. O que acontece depois da morte? Existe a teoria religiosa que consiste em "julgamento, vida após a morte, reencarnação..." e a não religiosa que consiste em "viramos alimento de inseto e nada mais, tudo desligado." E veja isso, um ser com QI 160 morre e seu cérebro não pode ser aproveitado. FIM. Nada justo.
Para o que ainda não temos resposta, devemos nos calar. Por isso, luto para não defender a minha ideia sobre esse assunto. 
E sem contar nos outros tipos de enganações, aquelas teorias pequenas que a gente acredita e um dia alguém vem e mostra que não é assim. E ainda prova. 
  As vezes eu acredito nas minhas teorias até depois de provado o contrário, tenho um defeito grande: Esperança.

E vindo em contrapartida ao texto:
"A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca."
Que guri esperto foi esse Carlos Drummond de Andrade!
 Impossível não me encontrar em muitas das citações dele. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Que cupído, que nada!

   O tio Schopenhauer é fodástico mesmo, mas tenho que dizer para todos os engravatados que percorrem a vida com os olhos secos, procurando algo de muito valioso que dê sentido a sua vidazinha vazia, que infelizmente, ou não, segundo o magistral filósofo Schopenhauer a vida NÃO TEM SENTIDO. É uma idéia apavorante, principalmente para os mais otimistas ou pelo menos para aqueles que usam os óculos do senso comum. Eu que não sou tão otimista assim, fiquei me pelando de medo, aliás, confesso morro de medo do tio Schopenhauer, embora ele esteja na lista dos filósofos que mais me marcaram e, por que não dizer, é um dos filósofos que mudou minha vida. Parece exagero, acho que ando lendo coisas hiperbólicas demais.
   Estamos condenados ao sofrimento, diz Schopenhauer, estamos fadados à dor à toda prova, nossa história de vida é trágica. Saciamos os nossos desejos mais banais com a falsa impressão que estamos nos inclinando à felicidade, todavia a verdade é bem outra, as pseudo-felicidadezinhas quando saciadas pelos nossos instintos mais animais só provam que somos impotentes na vida, pois é quando nos damos conta que aquela felicidade é efêmera demais pra ser chamada de Felicidade. Somos seres indefesos, patéticos, fracos e infelizes.
   É cruel que a natureza use o instinto de isca pra brincar com a vida dos animais, ademais, Schopenhauer esclarece que tudo o qual fazemos é em nome da natureza, seja ela consciente ou inconscientemente, não interessa. Ta lá na Metafísica do amor sexual schopenhauriano, a idéia desse amor sentimental, meloso que não passa de uma ilusão, melhor dizendo, não passa de um erro o qual os seres humanos acabam caindo, mas que é uma armadilha da natureza que almeja a perpetuação da espécie num mecanismo harmonioso da vida. Diz Schopenhauer: quer bem maior pra espécie do que a certeza que haverá de fato outra geração a vir, portanto, a perpetuação da espécie?
    Schopenhauer é o papa do pessimismo, com uma lucidez que chega a doer, aliás comprova a frase: a verdade dói, se é que podemos chamar isso de verdade. Há uma importância fundamental de Shopenhauer nas obras de outros filósofos que colocam o amor sexual em discurso, entre eles, o mais notório é Freud, mas vale dizer, que sempre que lembro da Metafísica do amor, vem à minha mente a História da sexualidade do Foucault, pode não ter muito haver mas pelo menos pra ambos o sexo aparece como armadilha, embora premissados, argumentados de formas bastante distintas.
    Lendo Schopenhauer percebemos que são argumentos belos e maravilhosamente bem escritos que fazem a gente cortar os pulsos de tanta infelicidade lúcida. Ele parece que escreve com um bisturi e que vai rasgando nossas acomodadas crenças, "verdades inventadas" e "verdades" querendo-ser-acreditadas. Mostrando as feridas que causa a dor de existir, feridas as quais ficam escondidas nos recônditos da nossa alma e que quando exposta nos quebram em mil pedaços.
    

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A evolução musical, assim como a das espécies, nunca alcança seu fim, está em eterno andamento e nunca, em hipótese nenhuma, retrocede. De acordo com os mais tradicionalistas (que também criticaram Charles Darwin em sua teoria de evolução das espécies), temos hoje em dia uma queda na qualidade das composições das bandas que se propõe a tocar rock. Sabemos que muitas vezes o tradicionalismo foi a cela que impediu a descoberta e a composição de novas linhas de pensamento, na ciência, na arte e na vida.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

LER DEVIA SER PROIBIDO

    A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavaleiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tornou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
    Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-lo com cabriolas da imaginação.
     Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas pra que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
    Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
    Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
    É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
      Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
      Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer do discurso os instrumentos de conquista de sua liberdade.
    O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. É esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há correntes, prisões tampouco. O que pode ser mais subversivo do que a leitura?
    É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
     Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história e outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

                Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
                       
                                                                                                    (Guiomar de Grammount)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Amor, a praga do séculos: o hipnotismo.

Tudo começou no verão de 2018.
  Viagem para a praia, Barra Velha - Santa Catarina. Todos felizes, cinco pessoas (Andressa, Marina, Tiago, Mateus e eu), todos amigos de carteirinha, enchemos dois carros e lá vamos nós 500km.
  20 de janeiro, calor infernal. Saímos de Caxias ás 9h, chegamos em Barra Velha as 17h, com algumas paradinhas para exercitar o corpo e comer. Chegamos e fomos direto pra calçada da praia, que maravilha.    Aproveitamos até as 18:15, e fomos para a pensão que ficava no outro lado da cidade mas ainda assim podíamos ter uma visão do mar da janela do quarto das meninas.
- Ficaremos uma semana!
 Jogamos as bugigangas de qualquer jeito, tomamos um banho, dei uma cochilada enquanto eles comiam na rua e logo veio Marina me chamar pra descer e ir num pub/bar maravilha.
 Fui na hora, afinal, a pesar do sono e que dormir seja a coisa mais boa do mundo, na minha opinião, fui pra aproveitar as férias com os amigos.
 ADOOOOOOOOOOOOOOREI esse bar! Tocando Ramones, e os caras eram bons.. o vocalista além de gatinho era até parecido com o Joey, lábios carnudos, bem branquinho. Fiquei pensando: Ele só deve sair de casa pra tocar e ainda assim só a noite, pra ser tããão branquinho e lindo. Me apaixonei!
  Pronto! A viagem não podia começar de outra forma, mania minha ver alguém e me apaixonar repentinamente. Passei o olho nele a noite toda enquanto tocava, logo depois que desceu do palco veio até mim com duas long neck e disse que uma era pra mim beber com ele, bebemos, sentamos juntos em outra mesa, conversamos. Meus amigos decidiram ir pra praia. E lá fiquei eu, sozinha com um cara que eu nem conhecia, ao menos o Mateus me deixou com o carro dele pra que eu pudesse ir depois pra praia, porque o pub/bar era perto da pensão mas não perto da praia.
  Logo mais fui pra praia, combinei de sair de novo com Joey Ramone Cover, que na verdade se chamava Daniel.
  Convidei ele pra ir junto a praia mas ele disse que estava cansado, interpretei aquilo como um "tenho namorada e vou me encontrar com ela" então não insisti. Chegando lá, Marina estava totalmente bêbada, a Andressa nem se fala, e o Mateus dando conselhos para o Tiago chegar em uma mina que vendia numa barraquinha de coco. Sentei do lado do Mateus, que se virou e me beijou haha e depois saiu com a pergunta:
  - E ai, beijou muito o Ramone?
  Dei risada e respondi que não havíamos nos beijado, e ele super sarcástico disse que então o cara não tinha gostado de mim e que não me ligaria nunca mais. E me fez o convite de dormir com ele (bêbados babacas). Dois minutos depois dessa conversa, recebi uma mensagem do Daniel dizendo que adorou me conhecer e que me ligaria em breve pra sairmos. Colocou um coraçãozinho na mensagem e eu tive que rir disso.
 Para pensão, dormimos, acordamos as 11h. Banho, pintar as unhas, secar os cabelos (que caaaaaaaaalor). Restaurante. Pensão. Papear. Comprar cerveja. Praia. Pensão. Praia. Pizzaria. Praia. Beber, beber, beber. Dormir.
 Oloco! Segunda- Feira, que tédio. Por mais que eu esteja nas férias, a segunda-feira ainda é o dia que menos gosto na semana. Almoçar, e cooooooooooooompras.
 Que dia maluco! Comprei, comprei e no corredor do shopping tropecei com algo que eu jamais acharia que iria acontecer comigo, algo como um "imprinting" (calem a boca e foda-se se eu assisti a saga crepusculo), esbarrei em um cara e isso coisou meu coração. Inexplicável.
 Foi como perder meus sentidos por um minuto, ficar imóvel, tremer na base. Foi morrer, e recuperar o folego. Não riam, é verdade.. foi estranho demais. Tudo comigo é estranho.
 Bom, voltando. Estou eu, bem bela rindo a toa, tropeço, e automaticamente olho pra trás pra ver onde tropecei, mas faço isso numa curva e então "blooooooooooooooooom" me bato de frente com o cara mais desejado de toda a minha vida, a pessoa que esperei. Parece filme, mas é a real. Ele me ajudou a juntar as sacolas, depois que o efeito hipnótico passou, eu disse obrigada e segui meu caminho dando uma olhadinha pra trás o que ele também fez e ainda me sorrio lindamente. Mas decidi fingir que nada tinha acontecido, sabendo que não o veria novamente e que gostaria muito de vê-lo.
Passei dois dias pensando naquele cara. Na noite de segunda Daniel me ligou, disse que viajou pro interior e não pegava celular, quis sair comigo na terça e então passamos a tarde juntos.. buscou-me na pensão e me levou a uma sorveteria maravilha. Depois fomos pro ape dele, tão arrumadinho que nem parecia que um homem morava ali, pequeno porém com espaço pra um quase estúdio de canto de sala, na manhã de quarta ele saiu cedo e me disse pra ficar lá até o meio dia que ele trazia comida pra gente, tinha que ir trabalhar. Decidi acordar nas minhas sagradas 11h, dei a localização da casa dele pro Tiago que veio perguntando até me achar, mas não era tão longe só não tinha mais vista pra praia rsrsrsr almocei com meus amigos, e na saída do restaurante um cara todo no social entrou no restaurante e quem era esse cara? Adivinhem!
Simmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm! O cara em que esbarrei, fiquei tão feliz que decidi pagar uma ceva pra ficarem tomando comigo no restaurante enquanto eu olhava pra quele cara que logo depois de almoçar veio na minha direção e pediu se eu estava bem (Como ele lembrou de mim?). Respondi que estava ótima, ele disse que tinha que ir e anotou o numero do meu celular dizendo que iria verificar todas os dias me ligando se eu estava bem. Eu ri. E não sabia o que estava acontecendo, terminei a cerveja e saímos do restaurante. Daniel me ligou querendo saber onde eu tava e depois da minha resposta pediu se podíamos sair a noite novamente, e eu respondi friamente que não. Não porque não gostei dele, adorei ele que cara mágico. Mas não sei o porque to não friamente. Eu só conseguia pensar que tinha três ou quatro dias pra ficar ali, e logo que eu chegasse as férias do meu trabalho já terminariam, eu queria aproveitar. E eu queria que aquele cara que não me disse o nome dele me ligasse.. Sei lá, eu esqueci de perguntar o nome dele. Ele só disse "Me passe seu numero, te ligo." e "Qual é seu nome?" mas como não salvei o numero dele, acabei esquecendo de pedir o nome. Que legal!
Praia, um pubzinho legal, beber beber. 00:00h uma ligação, numero estranho e local:
- Oi, jéssica?
-Oi, quem?
-Sou eu, você nem perguntou meu nome. Estava esperando pra responder (ele ri)
- Quem é?
- Gabriel, você esbarrou em mim no shopping, pedi seu numero no restaurante essa manhã. Desculpe a hora, lembrei de você no meio da minha infernal insônia.
-ahhhh! Oi, seu nome é Gabriel. Pois é, esqueci de pedir teu nome.
- Acordei você?
- Não, eu tô na praia. Férias e tal né... tenho que me divertir.
- Sério, você tá na praia?
- Sim (ri)
- Dois minutos, vou aí e conversamos. Posso?
- Ééeéé.. tá, claro.
- Ok! Beijos
- Beij... tu tu tu tu tu
Exatamente dois minutos ele se fez atrás de mim, me cutucou nas costas e disse olá, nos abraçamos.    Caminhamos na praia, ele me atirou areia (eu nunca entendi qual o sentido da brincadeira, talvez ele achou aquilo uma cena romântica e quis imitar algum filme) de repente me puxou pro chão, ficou por cima de mim e me lascou um beijo. Eu beijei. Ficamos na areia, ele me disse que gostaria de ter falado comigo ainda no shopping. Nos beijamos, conversamos. Andressa me chamou e fui pra pensão. Ele me disse que morava perto da praia. E iria ficar ali mais um pouco.
 No outro dia, mesma rotina. Almoçar, cada dia almoçávamos em um restaurante diferente, praia, bebidas, lanche, praia, fomos conhecer uma trilha lá pras bandas do interior que uma garota que o Tiago achou na praia e começou a ficar desde segunda levou a gente. Voltamos as 20h. Gabriel me ligou, me levou pra comer pizza, e ele era perfeito e meu coração batia forte do lado dele, ele era meio sem noção, mas não tinha como ser mais parecido comigo. Demos umas voltas pela cidade, quinta-feira quase comecinho de final de semana e nas férias sempre tem alguma coisa. Ele sabia andar de skate, rsrsr achei engraçado, até tinha um skate no carro. Tentou me ensinar, mas quase caí e desisti. Me levou pra pensão, meus amigos tinham saído, decidi não ligar e ficar lá pensando um pouco sobre como essa semana tinha sido razoavelmente legal.   Ainda eram 22h, uma mensagem de Daniel: "Oi, estou com saudades. Fiz algo errado pra você não querer mais me ver?" respondi que não, mas queria aproveitar as férias só com os amigos. Ele respondeu dizendo que também sabia ser um amigo e pediu onde eu estava, disse que estava na pensão e decidi chamar ele pra ir lá. Ele foi, levou cervejas e me contou que o pai dele mora em Porto Alegre e que está pensando em ir pra lá, disse que foi apenas duas vezes pra lá porque o pai tinha outra mulher e ele preferia não socializar muito com ela. Conversamos altos papos, pintou um clima e acabamos ficando. Dormimos e perdemos a hora, então meus amigos chegaram e as meninas tocaram ele do quarto hahah antes de ir me disse que tocaria na próxima noite em um pub, me ligava pra dizer onde era e convidou todos nós pra ir lá.
  SEXTA-FEIRA! Uhuuuuuuul! Decidimos partir no domingo cedinho pra aproveitar uma baladinha monstra no sábado. Duas mensagens de bom dia, uma do Gabriel e outra do Daniel :D
  Almoçamos xis casa na sexta, as meninas estavam de porre e ficaram na pensão dormindo até as 16 h. Tiago saiu com a garota que estava ficando. Então fomos a praia eu e Mateus, mas não foi tão legal até as 16h, quando as gurias chegaram. Logo Gabriel saiu do trabalho, todo engomadinho me chamou na calçada da praia e falou sobre um pub que ia tocar cover de uma banda que ele gostava, mas como fico boba perto dele acabei por nem pedir cover de que banda, ERRO GRAVE! me beijou, e foi pra casa. Logo Mateus me levou pra pensão. Tomei um banho, Gabriel me ligou, passaria as 21h me buscar. Pensei que Daniel tinha esquecido de me avisar do show que ia fazer ou qualquer coisa assim.
  21h nenhum de meus amigos na pensão ainda, Gabriel chegou, fomos. Comemos batata frita num barzinho de esquina, ele esqueceu o cartão em casa. Acabei pagando as batatinha. Mas antes de irmos pro pub fomos até a casa dele, QUEEEEEEEEE CASA!. Ele me disse pra descer, me apresentou pra mãe dele, fiquei roxa e nem sabia o que dizer a ela.. acabei dando um "oi" , me disse que o pai dele ainda não tinha chegado, me levou até o quarto dele, o quarto dele dava o apê do Daniel praticamente. Tinha até empregada aquela casa, pensei "vá a puta que pariu!" nos amassamos um pouco naquela mini cama, macia, maravilha ahaha e fomos para o pub.
  Lugar legal, mas estavam largando dj ainda, super rock n roll, adorei! Melhor que o outro que fomos no dia em que chegamos. Fiquei feliz, pedi qual era o cover que iria ter e ela me disse:
- Dá minha banda preferida, THE RAMONES! Conhece?
- Tá brincando, eu amo!
-Sério? Que legal.
Me deu um beijo e foi pegar ceva pra gente. Fiquei ali parada, ele veio com duas long neck e um cara com uma câmera e crachá pediu pra tirarmos uma foto, e então tiramos. Ficamos tão brancos, parecíamos fantasminhas.
  A banda entrou, a gente tava mais na parede, eu nem pensei que poderia ser a banda do Daniel.. já disse que fico boba quando estou com o Gabriel? pois então. Era a banda do Daniel, não que mudasse alguma coisa ele me ver com outro, eu já tava indo embora no outro dia. Mas de qualquer modo.. Gabriel me puxou pra rodinha punk, larguei da mão dele dando sinal de que queria ficar ali. Mas ele me puxou mais forte, me olhou com cara feia e disse "Vem".. detestei a reação dele e dei mais um puxão na minha mão, aí ele veio até mim e disse pra irmos pra rodinha que ele queria dançar lá, toda reinenta porque odeio que tentem mandar em mim mandei que fosse sozinho, e ele foi. Saí dali, e fui pra outro canto. Algo que eu detesto mais que alguém que tenta me mandar é alguém que me obedece mesmo quando sabe que estou blefando. Mas ele era exatamente igual a mim, é claro que faria isso. Chegou uma garota e começou a falar comigo, pediu com quem eu tava e se eu realmente conhecia o cara que tava comigo, eu não dei muita conversa.. só disse que tava aproveitando minhas férias e não queria encrenca, aí ela me disse que então era melhor me afastar do dele e que ela tinha visto nossa foto e sabia que eu tava com ele a mais tempo. Dei um empurrão naquela magrelinha e saí. Não podia nem ficar em paz, decidi por um momento ir embora mas pensei pensei.. sentei e tentei procurar Gabriel com os olhos na rodinha, não achei. A banda deu uma pausa. De repente vi num canto aquela magrelinha que veio tirar satisfação comigo antes fitando um canto, olhei pro mesmo lugar e ela tava olhando pro Gabriel que conversava com o Daniel. Pensei "se conhecem", depois pensei "Ele tá elogiando ele porque é a banda preferida dele" e por outro lado ficava encucada com o que aquela magrela tinha com o Gabriel. Pensei que podia ser uma ex louca, já vi e vivi com uma dessas. Mas depois pediria isso pra ele sem pressão, só por curiosidade. Daniel voltou para os vocais e a banda continuou, desci do vip e fui pegar uma cerveja. Quando peguei e me virei Gabriel tava atrás de mim. Disse pra irmos ali pra mesinha de canto, fomos.. ficava do lado do bar e ficávamos de lado para o palco e ali tava bem escuro "ótimo, Daniel não vai me ver." Terminou o show, ele desceu do palco e a magrelinha foi até ele, ele abraçou ela pegou o casaco que tava guardado e saíram. Então entendi tudo, não tinha nada a ver com Gabriel e sim com Daniel, provavelmente fosse namorada dele.. num dia desses que nos vimos tiramos umas fotos no celular dele. E ela deve ter visto. Quase cometi um erro. Daniel foi reto até o bar, mas mesmo assim não me viu.. até que, Gabriel chamou ele pra parabenizar novamente e dizer que curtiu o show. Então tive que dar Oi pra ele, e a garota ficou no bar me fitando com um olhar de quem queria me esganar, mas deve ter ficado mais tranquila por ter me visto com outro. Eu e Gabriel estávamos sentados um do lado do outro e ele me abraçava. Descobri que ele também tinha namorada, então ele que não me cobrasse nada. Até nem tinha porque e o errado era ele que traia ela, eu só estava curtindo minhas férias.
 Terminamos a noite dançando, dormi na casa dele, passei a manhã de sábado conversando com a mãe dele que só sabia falar sobre negócios. Ele não foi trabalhar e ficou comigo, mas também discutia sobre isso com ela.. eu ficava perdida. Ela falou que a impressa do pai dele tinha filial em Flores da Cunha, do ladinho de Caxias e ele nem sabia. Que adorava o Rio Grande do Sul, que gostaria de visitar novamente. Muito querida, porém com um papo que não era minha área. Almocei lá, por volta de duas da tarde decidimos achar meus amigos, me despedi dela, ela disse pra mim voltar lá e que gostou de me conhecer. Que esperava que desse certo entre mim e o Gabriel. Fiquei triste por saber que não daria já que moramos a 500km de distância um do outro, e eu sabia que iria totalmente apaixonada por ele porque aquilo não era normal comigo, aquele impacto por alguém e o modo que me sentia junto com tal pessoa. Pegamos um último dia de praia. Eu, Gabriel, as meninas, um gatinho que a Andressa tava pegando, Tiago e sua mina e   Mateus que acabou ficando com a Marina, mas isso não é novidade.. eles sempre rodam rodam e acabam se pegando. É uma amizade coloridíssima. Parecia que a praia era eu e Gabriel, eu tava cega e só via ele e era tão bom.
      Apaixonada, quem diria? Que merda!
 A noite jantamos todos juntos numa churrascaria que encontramos, depois fomos todos pra balada. Sem rock n roll, tocava de tudo. Dançamos demais!!! Eu e Gabriel saímos, ele me levou em um moro que aparecia toda a cidade. Nos fizemos juras de se ver de novo, e que sentiríamos falta um do outro e prometemos não perder o contato. Disse-me que amou esses dias comigo, eu disse o mesmo a ele. Nos abraçamos, tivemos uma noite ao ar livre haha saímos de lá, fomos pra praia tomamos banho de mar, fizemos nudismo. Era uma parte da praia onde não havia ninguém, era um canto longe e sem calçada, tivemos que caminhar bastante pra chegar lá. 3h ele me levou pra pensão, meus amigos chegaram 5 min. depois que cheguei. Gabriel disse que amanhã cedo vinha se despedir de novo de mim.
Dormimos, 8h todos de pé, malas já quase pronta. Banho, preparados. Cadê Gabriel? 9h e nada. Decidimos ir, quando entrei no carro ele chegou aí saí nos abraçamos, ele me deu um coraçãozinho de pelúcia escrito "FOREVER" aí eu chorei, eu tava forte ou fingia que tava, mas quando ele me disse "guarda com carinho e quando precisar de uma casinha leia essa frase, lembre de mim, e venha até mim." Coloquei meu óculos de sol, beijei-o demoradamente, entrei no carro, som alto, seguimos estrada. 18h chegamos em Caxias. Eu e Marina fomos pro nosso apê, Mateus foi pra casa e Tiago levou Andressa. Terça-Feira a rotina cansativa do trabalho começou, aceitei os convites de Daniel no facebook e vi o relacionamento sério. Aceitei meu amado e não deixamos de nos falar nenhum dia.. e a saudade é tudo de pior que eu tinha que levar....